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Para que a Barbie se existe Katniss, Lara Croft e Tauriel?

Para que o Ken se existe o Max Steel? É o que respondo quando perguntam se eu brincava de Barbie. Entendo que o problema não é o Ken ser um boneco, e sim fazer a menina crer que os homens são como ele. O mesmo vale para o menino que acredita que a mulher tem que ser como a Barbie.

Garotas, desde cedo, são condicionadas a seguir o estereótipo da perfeição e submissão feminina. Seria coincidência aprenderem que é bonito se vestir como uma patricinha, que é bacana colecionar revistas de dietas e que o homem perfeito é o cara forte, arrumado e com carrão? Se você já viu isso acontecer na vida real, pergunte se essas garotas sonham em ter um carro pink conversível. Espere um sim como resposta.

Um bom exemplo cinematográfico desse estereótipo garota-frágil-submissa-dependente-da-figura-masculina é a dançarina de cabaré Willie Scott, de Indiana Jones e o Templo da Perdição. Os quadrinhos também não nos pouparam desses estereótipos.

– O que as editoras têm preparado para o público nerd feminino? – questionei-me ao ver mulheres em posições eróticas e submissas em HQs e revistas de heróis.

– É que você ainda não leu o Ultra – eles sempre respondem.

A HQ Ultra, dos irmãos Luna, é uma história em que supermodelos capas de revista são heroínas perfeitas. Interessante é notar que são lideradas por um homem que contrata super heroínas. São obrigadas a voar com roupas justas, pois isso é o que as pessoas querem ver. As garotas todo o tempo se dirigem umas às outras por nomes vulgares, típicos nomes usados pelos homens quando querem vulgarizar a mulher. Não parece texto para garota nerd ler e adorar, mas é sim uma HQ dirigida apenas para um público que gosta de HQs alternativas e divertidas. E só.

Mas e o público feminino que vem se formando ao redor dos filmes da Marvel e das novas heroínas Katniss, Lara Croft e Tauriel? Nós, garotas nerds, não queremos ver mulheres submissas e dependentes da aceitação masculina. Assim como os garotos querem se espelhar num herói, nós também queremos ser bem representadas nos quadrinhos.

Estamos numa época na qual a mulher conquistou um espaço importante na sociedade e precisa ser bem retratada pelas suas qualidades e defeitos. Queremos heroínas críveis e que, até mesmo, possam fazer a gente se aproximar da realidade da personagem. X-Men é o tipo de HQ para um público totalmente misto. Afinal, todos os garotos e garotas da realidade têm problemas, assim como esses mutantes que lutam para encontrar seu lugar no mundo.

Já Red Sonja representa uma guerreira destemida e decidida, suas histórias se desenvolvem num contexto muito atraente para um público misto. Além do que, os roteiros que li mais se preocuparam em mostrar a figura guerreira do que um símbolo sexual.

Jaime Hernandez representou o universo feminino na HQ Lôcas. As personagens não são exatamente como as mulheres da vida real, mas agem como gostaríamos de agir: livres de preconceitos, destemidas, não estão nem aí para o que vão pensar delas e, por isso, andam como bem entendem (descabeladas e, às vezes, com as peças íntimas aparecendo) sem ficar dando enfoque ao olhar masculino diante dessas situações. É assim que as mulheres querem ser: aceitas pela sociedade como realmente são. E, por isso, relembro aqui as palavras de Hernandez em uma entrevista exclusiva para a Mundo: “Estou mais interessado em como as mulheres realmente são do que em como eu gostaria que elas fossem.

Ainda nascerá uma HQ voltada para ambos os gêneros, em que a mulher não é só uma figura de sexualidade, um enfeite. Seria ótimo se a influência da mídia nerd pudesse eliminar o papel secundário e sexual das mulheres e despertar a essência das verdadeiras heroínas que existem dentro de nós.

Para que a Barbie se existe Katniss, Lara Croft e Tauriel?

Este é um artigo do grupo Iluminerds: http://www.iluminerds.com.br/

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